Firewall, NAT e VPN
Três peças que decidem o que entra, quem compartilha um mesmo IP, e o que parece vir de outro lugar.
Firewall — filtrando tráfego por regra
Um firewall examina cada pacote que entra (ou sai) de uma máquina ou rede e decide, com base em regras (IP de origem, porta de destino, protocolo), se deixa passar ou bloqueia. No Linux, isso roda no próprio kernel via netfilter, geralmente configurado através do iptables ou de ferramentas mais recentes construídas em cima dele.
# permite entrada na porta 443 (HTTPS)
iptables -A INPUT -p tcp --dport 443 -j ACCEPT
# bloqueia todo o resto de entrada por padrão
iptables -A INPUT -j DROPUm firewall stateful (a maioria hoje) lembra do estado de uma conexão já estabelecida — se seu computador abriu uma conexão de saída para um site, ele libera automaticamente o tráfego de volta dessa mesma conversa, sem precisar de uma regra explícita de entrada pra cada resposta possível.
NAT — como a casa inteira compartilha 1 IP público
Sua casa provavelmente tem vários dispositivos (notebook, celular, smart TV), cada um com um IP privado na rede local — mas só um IP público, atribuído pelo provedor ao roteador. O roteador faz NAT (Network Address Translation): troca o IP de origem de cada pacote de saída pelo IP público dele, e guarda uma tabela interna pra saber pra qual dispositivo devolver cada resposta que chegar.
Notebook 192.168.1.10 ─┐
Celular 192.168.1.11 ─┼─► roteador (NAT) ─► internet, saindo como 203.0.113.7
Smart TV 192.168.1.12 ─┘
// a resposta que volta pra 203.0.113.7 é redirecionada, pela tabela
// de NAT, de volta pro dispositivo certo que fez aquela requisiçãoIsso existe, em parte, porque IPv4 tem endereços insuficientes pra dar um IP público único a cada dispositivo do planeta — NAT permite que uma casa inteira "pareça" um único dispositivo pra internet.
VPN — um túnel criptografado até outro ponto da rede
Uma VPN cria uma conexão criptografada entre seu dispositivo e um servidor VPN; todo o seu tráfego passa por esse túnel antes de sair pra internet "de verdade", saindo com o IP do servidor VPN, não o seu. Dois usos comuns: acessar recursos internos de uma empresa que não estão expostos na internet pública (como se seu notebook estivesse fisicamente dentro da rede do escritório), ou evitar que a rede local (Wi-Fi de aeroporto, por exemplo) veja o conteúdo do seu tráfego.
Uma VPN não te torna anônimo de forma absoluta — ela só troca quem consegue ver seu tráfego bruto: em vez do seu provedor de internet local, passa a ser o provedor da VPN.
Exercício
Um funcionário remoto reclama que, depois de conectar na VPN da empresa, até o Netflix (sem nenhuma relação com os sistemas internos) ficou mais lento. Qual configuração de VPN provavelmente causa isso?